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O Simpósio Produção Imobiliária e Outros Fazeres da Cidade acontecerá em Salvador, de 03 a 06 de Junho de 2019, colocando em debate o campo de estudos em torno da produção imobiliária latino-americana. São teorizações e temas frequentes no campo, aquelas sobre espaço e sua produção (LEFEBVRE, 2008, MASSEY, 2008, SANTOS, 2008); as articulações entre mercados formal e informal do solo urbano (ABRAMO, 2007); valor, rendas fundiária e do solo urbano (MARX, 1989, 2011, JARAMILLO, 2010, ORLÉAN, 2011, DEÁK, 2016, CARRERA, 2017); reestruturação imobiliária (XAVIER, 2006); produção imobiliárias e reconfiguração da cidade contemporânea (RUFINO, 2015, XAVIER, 2017); financeirização e repercussões na produção do espaço (FIX, 2011, BOTELHO, 2012). Também notamos nesses estudos, o acercamento a questões relativas ao urbanismo corporativo (FERNANDES, 2013); inflexão do modelo liberal periférico (FILGUEIRAS, 2013); o novo capitalismo patrimonial (PIKETTY, 2013). 

De modo recorrente, as abordagens sobre a produção imobiliária remetem à (re)produção capitalista do ambiente construído e da Cidade, focalizando empresas imobiliárias, aqui incluídas aquelas que atuam na construção, incorporação, aluguel e ou comercialização de imóveis. Nas Cidades latino-americanas a ação dessas empresas e abrangência de sua atuação estão historicamente relacionadas e condicionadas à existência e provisão por sistemas públicos de financiamento, no caso brasileiro temos o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) surgido nos anos 1960 e o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) criado em 1997. 

APRESENTAÇÃO

No entanto, a produção imobiliária remete a processos de formalização do espaço e de diferenciações que atribuem sentidos de (des)igualdades urbanas, não se limitando a ação das empresas imobiliárias, já que dizem respeito a um conjunto mais diverso de agentes que atuam a partir de outras lógicas de produção da Cidade, não necessariamente ou não absolutamente capitalistas. Pessoas físicas; empresas de produção de bens e de serviços; Estado, na múltipla variação dos seus entes federativos, órgãos e instituições; coletividades associadas, remetendo a uma variedade de agentes da sociedade civil; igrejas e entidades religiosas, são exemplos de agentes que atuam a partir de articulações, convergências ou embates com o domínio da produção capitalista da Cidade. 

A formalização não toma aqui um sentido sentido dual ou dicotômico, já que guarda sempre (inter)relações, (co)implicações e reciprocidades com aspectos da informalização urbana.(In)formalidade e (in)formalização são relacionais, imbricadas e multidimensionais, referindo-se a especificidades das condições de realização da produção da Cidade, tais como formas de acesso à terra, crédito ou meios de custeio de despesas da produção, atividade construtiva e consumo do espaço. Referem-se a dispositivos de (des)igualdades e diferenciações que constituem o entramado complexo do urbano, onde uma diversidade de agentes (re)produzem ou fazem a Cidade a partir de lógicas, práticas, historicidades, estratégias e modos de vida também distintos, ao mesmo tempo em que a partilham a própria Cidade como espaço Comum.

O Simpósio acontece pouco depois de ter se completado uma década da grande crise mundial centrada na expansão e domínio do capital imobiliário financeirizado. (WRAY, 2009, LIPIETZ, 2013, CHESNAIS, 2014) No conturbado e regressivo momento político atual, mesmo com as oscilações derivadas do prolongamento e efeitos da crise, o Brasil manteve altos níveis de investimentos urbanos, com destaque para os financiamentos do SBPE, disponibilizados de modo concentrado para as empresas imobiliárias. Isso vem acarretando mudanças no regime da propriedade, pela ampliação do patrimônio e do controle jurídico da propriedade de imóveis adquiridos e produzidos por essas empresas. Há também, uma generalização de processos de formação de renda fundiária, bem como uma tendência de aceleração dos mesmos, em função da rotatividade das transferências do domínio imobiliário, através de transações de compra e venda. Assim, um mesmo imóvel pode ser transferido diversas vezes em intervalos de tempo menores. 

No caso brasileiro, a produção imobiliária, que acontece nesses termos, ajuda a intensificar processos de despossessão, precarização e vulnerabilização, seja pela tendência geral de assimetria da destinação desses investimentos, canalizados majoritariamente para as empresas imobiliárias; seja pela interdição do acesso a essa produção por habitantes sem a capacidade aquisitiva / de solvência requerida; seja pela despossessão, de fato ou como ameaça, de territórios populares em situações de conflitos urbanos face a alguns dos empreendimentos produzidos; bem como casos de degradação e de destruição de recursos ambientais e patrimoniais de interesse coletivo, de muitas dessas intervenções. Esse sentido dominante converge com uma desigual distribuição de infraestruturas públicas estatais, que reforçam os interesses corporativos da Cidade, guiadas tanto pelos princípios do Estado-Capital (ROLNIK, 2018), quanto pela vigência de uma Necropolítica. (MBEMBE, 2018) 

Porém, frente aos e apesar desses processos, o(a)s habitantes da Cidade reinventam de modo permanente estratégias de viabilização da vida. Suas práticas cotidianas expressam contra-racionalidades, conflitos, tensionamentos e brechas pelas quais atualizam-se as lógicas da necessidade (ABRAMO, 2007) e da solidariedade que articulam as suas condições de existência. As suas demandas por cidadania e direitos coletivos podem implicar em contestações de espaços produzidos pela ação mercadológica dominante. De outro modo, esses habitantes podem engajar, coletivamente e a partir de valores anti-capitalistas, uma produção imobiliária ou de infraestruturas públicas / comuns no sentido de reversão da precariedade dos seus espaços de vida.


A partir dessas questões de partida, propomos nesse Simpósio uma reflexão crítica e elaboração coletiva de conhecimentos sobre a produção imobiliária latino-americana em (des)articulação com Outros fazeres da Cidade. Torna-se importante, portanto, uma aproximação e (re)conhecimento dos agentes que fazem a Cidade. As atualizações e reconfigurações do urbano, empreendidas através da produção imobiliária das primeiras duas décadas do século XXI, lidas na sua criação e presença material e simbólica na Cidade e em (inter)relação - conflitual ou cooperativa -, com Outros fazeres, espaços e formas de vida que coexistem e compõem essa mesma Cidade.

ATIVIDADES

PAINEL DE

PROVOCAÇÕES

OFICINAS

MESA COMPOSTA POR CONVIDADOS/AS QUE IRÃO APORTAR QUESTÕES DESDE DIFERENTES PERSPECTIVAS E CAMPOS

ESPAÇOS DE TRABALHO E FORMULAÇÃO COLETIVA, QUE PODEM SER PROPOSTOS, ATRAVÉS DE SUBMISSÃO DE PROPOSTAS PARA O SIMPÓSIO, DENTRO DOS SEUS EIXOS TEMÁTICOS

PERCURSOS DE

APRENDIZAGEM

MOMENTOS DE ENCONTROS-CAMINHADAS EM DIFERENTES LUGARES DA CIDADE, VOLTADOS PARA UMA ELABORAÇÃO COLETIVA DE CONHECIMENTO, PELOS PARTICIPANTES, A PARTIR DAS QUESTÕES SUSCITADAS NESSES DEBATES EM CAMPO

RODAS DE

DIÁLOGO

MOMENTOS DE DISCUSSÃO COLETIVA, CONTANDO COM A PRESENÇA DE PESQUISADORES/AS E MEMBROS DE COLETIVOS URBANOS QUE SÃO CONVIDADOS/AS DE REFERÊNCIA SOBRE O TEMA EM QUESTÃO

EIXOS

_ Produção Imobiliária da Cidade contemporânea;
_ Conflitos Urbanos envolvendo agentes da produção imobiliária;
_ Articulações e (inter)relações entre formalidade e informalidade urbanas;
_ Práticas de produção coletiva da cidade;
_ Urbanização latino-americana;
_ A construção social do valor da cidade, renda fundiária e renda do solo urbano;
_ Financeirização e repercussões na produção do espaço;
_ Produção da Cidade e insurgências.

COMISSÃO

CIENTÍFICA

Adriana Vieira Lima | UEFS e Lugar Comum
Aline Barroso | FAUFBA e Lugar Comum
José Carlos Huapaya | FAUFBA e Lugar Comum
Marcos Carvalho | IHAC UFBA e Lugar Comum
Mayara Araújo | FAUFBA e Lugar Comum
Nayara Amorim | FAUFBA e Lugar Comum
Sanane Sampaio | FAUFBA e Lugar Comum

COMISSÃO

ORGANIZADORA

Glória Cecília dos Santos Figueiredo | FAUFBA
Flora Tavares | FAUFBA
Leilane Pamponet | FAUFBA
Natália Rocha | Politécnica UFBA

IDENTIDADE VISUAL

COMUNICAÇÃO

Luisa Caria | IHAC UFBA

Matheus Tanajura | PPGAU UFBA